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Dieta Paleolítica... A dieta da vez?

 

A mais nova dieta da “moda” é a chamada Dieta Paleolítica, ou Paleo, uma dieta inspirada na alimentação de nossos ancestrais. O período paleolítico ou idade da pedra é um dos períodos mais longos da história;  se iniciou a cerca de 2,7 milhões de anos e se encerrou à cerca de 10 mil anos atrás. Naquele período, os nossos ancestrais possuíam o estilo de vida chamado por historiadores, de caçadores/coletores, ou seja, viviam da caça e do que encontravam disponível na natureza. Sua dieta era então baseada em apenas três grupos alimentares: carnes magras (de animais selvagens – que é pobre em gorduras e rica em ômega-3, peixes e aves), frutas e hortaliças. É  rica em fibras, minerais, vitaminas e potássio e pobre em sódio e açúcares, ou seja, contempla basicamente todas as recomendações atuais para a prevenção de doenças crônicas como a HAS, Síndrome metabólica e Doenças cardiovasculares. Daí o motivo pelo qual especialistas têm estudado a sua aplicabilidade nos dias atuais e sua utilidade na prevenção de doenças crônicas. Além disso, estudos sobre o nosso material genético demonstraram que ele quase não mudou daquela época para cá, sugerindo que o nosso genoma está pouco adaptado ao estilo de vida moderno.

No entanto, alguns vieses devem ser ressaltados. Naquela época, os homens eram magros e praticavam atividade física constantemente, tanto para garantir o alimento e água, quanto para se proteger. Além disso, a expectativa de vida era baixa, visto que pouquíssimos esqueletos de “idosos” com cerca de 50 anos foram encontrados, provavelmente pelo alto índice de doenças infecciosas, mortalidade infantil e acidentes. Isto torna difícil realizar a associação entre a dieta daquela época e a incidência de doenças crônicas, porque provavelmente morria-se antes de desenvolvê-las. 

Como em outras dietas restritivas, a perda de peso promete ser grande. Alguns promotores dessa dieta garantem perda de 4-6 kgs por mês em pacientes obesos. Há também uma corrente de atletas praticante da dieta que garante melhora do desempenho e recuperação muscular. Basta dar uma volta em uma livraria ou mesmo em sites de busca na internet para encontrar várias publicações sobre o tema.

No meu ponto de vista, faltam estudos para demonstrar a sua superioridade com relação à Dieta do Mediterrâneo, que é a dieta indicada para prevenir e tratar doenças crônicas. Além disso, a Dieta Paleolítica é extremamente rigorosa, de difícil reprodução e manutenção, ou seja, pode sim haver uma perda de peso inicial, mas que se reverterá à medida que o praticante descontinuar a dieta. Outro ponto negativo é relativo à carência de alguns nutrientes, como por exemplo a ausência de laticínios que pode levar a osteoporose e a ausência de grãos e cereais que são importantes na prevenção de doenças como o diabetes tipo 2, câncer de intestino e doenças cardíacas.

Qualquer dieta restritiva deve ser acompanhada por um médico para que se alcance apenas os benefícios e sejam reduzidos os riscos de sua prática. E lembre-se: mais importante do que seguir tal ou qual dieta é buscar o equilíbrio, o seu equilíbrio. 

 

Referências Bibliográficas:

- Mullin, G. Popular Diets. Nutrition in Clinical Practice. Vol. 25. Number 3. June 2010.

- SABRY, M. O. D.; SÁ, M. L. B.; SAMPAIO, H. A. C. Paleolithic diet in the prevention of chronic diseases. Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr.,  Vol. 35, Number 1, abr. 2010

 

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